BRINCANDO COM AS SOMBRAS

Eu sempre invoco figuras demoníacas,
mas esses demônios são bem conhecidos.
Quando caminho, se prestar atenção, é possível ouvir o arrastar de uma corrente. É ela que nos conecta e por onde eu os domino
(mas onde estão as chaves? a abertura não está no meu calcanhar).
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Na tentativa de justificar um ato ou de me convencer, eu brinco com as sombras.
Invoco essas figuras endiabradas cujos contornos satisfazem meus desejos.
Finjo não as conhecer. Sorrio para elas. Finjo surpresa. Adoráveis!
Elas moldam o que é possível ver.
Os demônios iluminam meu caminho. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Mas quando lançamos luz sobre alguns pontos, sombras surgem dos lados.
Certas regiões se obscurecem, ganham aspectos sombrios, monstruosos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O que antes era luz, torna-se treva. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
A satisfação é impossível.
A corrente é curta e pesada, não há controle, não há como fugir.
Mas da mesma forma que a luz é instável, assim é a escuridão.